Como as espécies exóticas chegam a um país? - Transporte acidental

E ae pessoal, tudo bom? Divertiram muito no carnaval? Espero que sim. Passado o Carnaval, finalmente 2012 começará e como eu disse no 1° post do ano, 2012 promete muito, ainda mais na área ambiental. E continuando os posts sobre as espécies exóticas, hoje vou falar de outra forma de transporte de organismos, o transporte acidental (confira aqui o post sobre o transporte intencional).

O transporte acidental é caracterizado por levar espécies exóticas sem que se tenha intenção disso, ou seja,  as pessoas não tem nem ideia de que estão levando seres vivos com elas. Um exemplo simples: se você andar pelo mato, com certeza algumas sementes (picão, carrapicho, etc.) irão ficar presas em suas roupas. Se quando você for para casa, elas ainda estiverem presas em você, chegando em sua casa elas podem cair em um local onde podem nascer. Pronto, você fez um transporte de espécies. Acidentalmente.

Acredita-se que o capim gordura tenha chegado ao Brasil dessa forma. Presas às roupas dos escravos, as sementes minúsculas dessa gramínea africana viajou todo o Atlântico e chegando aqui se adaptou muito bem, provocando um grande invasão, principalmente no Cerrado, onde ocupa grandes extensões e prejudica a flora nativa.

O transporte acidental é mais sério que o intencional porque as pessoas não tem noção do que e de quanto levam. Qualquer estrutura onde um ser vivo possa se fixar que é levada de um lugar para outro do mundo é um vetor de transporte de espécies. Como exemplos clássicos temos os vetores de espécies marinhas, como as plataformas, cascos e lastro de navios.

As plataformas, como as de extração de petróleo, tem, em sua porção submersa, muitos seres vivos incrustados, como mariscos, larvas, algas. Muitas plataformas são produzidas em um país e transportadas para outros e nessa viagem são levados os seres incrustados. Da mesma forma acontece com os cascos de navios, que servem de substrato para muitos organismos, como mexilhões e viajam mundo afora. A cada região que passam, se desgrudam ou deixam suas larvas, começando uma invasão.

Existem diversos produtos para tentar impedir essa incrustação, principalmente tintas para os cascos. Mas infelizmente não dão muito certo, pois as tintas muito eficientes são muito tóxicas para as águas do oceano, enquanto as que não são tóxicas, não possuem grande eficiência.

Muitos organismos são introduzidos por esses vetores, porém o que mais carrega espécies exóticas, sem dúvida, é o lastro dos navios.


O lastro é uma estrutura presente nos navios que garante a estabilidade da embarcação durante sua viagem. Quando ele está saindo de um porto, o lastro é enchido para balancear todo o peso da embarcação. Durante a viagem, mais água é sugada para esses tanques para compensar a perda de combustível e outros itens. Quando chega ao porto de destino, toda a água é despejada. 

O problema está no que vem junto com essa água. Milhões de micro-organismos, como fito e zooplâncton, além de espécies de peixes já foram encontradas em tanques de lastro. Elas vão parar nesses tanques quando ele enche de água e quando o tanque esvazia, em um porto diferente de onde ele partiu, essas espécies são despejadas também, podendo colonizar o novo local e, como já devem imaginar, a invasão pode começar. O peixe-leão (Pterois volitans) é um peixe do Oceano Pacífico que chegou ao Golfo do México principalmente pela água de lastro (o canal do Panamá também tem sua participação). Ele é altamente venenoso, inclusive para humanos, virou predador voraz das espécies nativas, invasora plena. Mas felizmente vários projetos estão conseguindo dar um jeito nele no mar do Caribe, inclusive com a descoberta do potencial gastronômico do peixe. 

Para o lastro muito tem se pesquisado para evitar que ele carregue grandes quantidades de seres vivos. Resoluções da Organização Marítima Internacional (IMO) determinam um controle das informações de todos os portos por onde uma embarcação passa, a fim de que sejam prestadas informações das regiões de prováveis espécies exóticas. Além disso, biocidas, como o ozônio, cloro e raios ultravioleta estão sendo testados para comprovar sua eficiência no tratamento da água de lastro. O cloro apresentou resultados bastante promissores, demostrando que aos poucos o problemas das invasões biológicas pode ser amenizado.

Dessa forma, existe a esperança de reduzir as invasões biológicas. Mas, para que isso aconteça realmente, muita coisa deve acontecer, como melhor vigilância nos locais de chegada de mercadorias, pois, junto com elas, podem vir os seres exóticos. Vamos torcer, pois muita coisa pode mudar. E tomara que mude mesmo.
Como as espécies exóticas chegam a um país? - Transporte acidental Como as espécies exóticas chegam a um país? - Transporte acidental Reviewed by Túlio Lima Botelho on 23:17 Rating: 5

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