Espécie do mês - Buriti

"O senhor estude: o buriti é das margens, ele cai seus cocos na Vereda - as águas levam - em beiras, o coquinho as águas mesmas replantam; daí o buritizal, de um lado e do outro se alinhando, acompanhando, que nem por um cálculo."

Com essas palavras, João Guimarães Rosa descreve o ciclo desse vegetal que é um dos símbolos do Cerrado, planta que marcou muito as obras desse escritor mineiro: o buriti (Mauritia flexuosa), a espécie do mês de fevereiro.



É a mais alta e mais abundante das palmeiras brasileiras e seu nome popular vem do indígena mbyryti ("árvore que emite líquidos" ou "árvore da vida"). Considerada sagrada pelos indígenas da região, essa palmeira encantou poetas e escritores. Há quem diga que as palmeiras de Gonçalves Dias, de onde o sabiá canta (na Canção do Exílio), fosse o buriti. Por essas e outras, o buriti é uma planta bem marcante, tanto para o bioma onde se localiza, quanto para a sua utilidade pelo ser humano.  

Essa palmeira é típica de regiões de veredas, lugares com solos hidromórficos (ricos em água), onde crescem formando grandes bosques, os buritizais. E as águas das veredas tem muito a ver com o buriti, como mostrado no trecho de Guimarães Rosa acima: os frutos caem na água e são levados para outros locais pela correnteza, quebrando a dormência das sementes e ajudando na dispersão e perpetuação dessa espécie que tem mil e uma utilidades, além de embelezar o Cerrado e ser alimento de diversos mamíferos e aves.

Os buritizais oferecem refúgio para diversos animais, pois formam grandes formações, além de servirem de corredores, ligado uma parte do Cerrado à outra. Moradores das veredas também utilizam muito o buriti, de onde se aproveita praticamente toda a planta.

O caule do buriti é utilizado em construções das casas dos caboclos e índios, que são cobertas com as próprias folhas da palmeira. Com suas fibras, são feitas redes, cestos, balaios, chapéus e todo tipo de artesanato típico dessa região. Dele se extrai também um ótimo palmito.

O potencial nutritivo do buriti também é muito pesquisado. Seu fruto é rico em betacaroteno, que se converte em vitamina A, contribuindo para a boa saúde da visão. Além disso, o óleo de buriti tem grandes potenciais de proteção contra a radiação UV, atuando como protetor solar.

Na indústria,o buriti é utilizado em diversos produtos. Muitos cosméticos são feitos à base de buriti e existe toda uma linha de cremes com buriti nas revistinhas de consultoras de beleza.

Mas o que está surpreendendo é a utilização do buriti em artigo tecnológicos, nas luzinhas de LED. O buriti tem grande potencial para substituir os diodos de emissão de luz (o LED) por uma versão orgânica, a base do vegetal, o OLED. O potencial energético do LED feito de buriti é bem maior, gerando grande economia e valorização de um produto nacional, utilizado por numerosas famílias das veredas.

Como viram, o buriti é uma planta que pode ser usada de diversas maneiras, só basta saber usá-la corretamente. Muitas comunidades locais dependem dela e seu uso sustentável garante a sobrevivência delas e preservação da espécie, garantindo muitos anos de uso dessa planta. Uma planta que marca o local onde está vivendo, pois é "verde que afina e eveste, belimbeleza" (Riobaldo em Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa).
Espécie do mês - Buriti Espécie do mês - Buriti Reviewed by Túlio Lima Botelho on 22:13 Rating: 5

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Por que o buriti é um ser vivo? Bom, de modo simples todo ser vivo é aquele que nasce, cresce, se reproduz e morre.

      E nesse período ele realiza suas funções vitais, como a respiração e digestão. Assim, seres vivos são as bactérias, protozoários (mesmo que você não os veja), fungos, animais e plantas (como o buriti). Todos fazem isso: nascem, crescem, se reproduzem e morrem.

      Se você prestar bem atenção, uma plantinha começa de uma semente e cresce até virar uma árvore enorme e se reproduz pelas flores e sementes.

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