Zumbis na natureza #1 - a vespa e a baratinha

Há muito tempo os zumbis fazem parte do imaginário das pessoas. De "A Noite dos Mortos Vivos" a "Resident Evil", os zumbis já foram mostrados em livros, séries, HQs, filmes e games. Mas você se engana se pensa que eles só existem na ficção. Muitos deles vivem por aí, e você pode ser um deles!

Mas, como já dizia o grande Chapolin Colorado: "Palma, palma! Não priemos cânico!" (Calma, calma! Não criemos pânico!). O tipo de zumbis que anda por aí - pelo menos o que se tem conhecimento - não é do tipo que fica vagando por aí tentando comer os cérebros das pessoas. Eles são mais do tipo "controladores de mentes para ajudar na reprodução".

Ultimamente tem-se descoberto muitos parasitas que, quando infectam um ser vivo, passam a controlar o sistema nervoso do hospedeiro. Uma bela estratégia que esses organismos desenvolveram para obrigar o pobre serzinho infectado a fazer tudo o que o parasita quer.

E esses parasitas podem ser de todos os tipos, tamanhos e táxons. Vão desde vírus e protozoários (não, ainda não é o T-vírus), passando por alguns fungos e artrópodes. Vejamos alguns deles e o quanto sua dominação pode ser macabra para os pobres zumbis...


A vespa e a baratinha


Muita gente em medo de barata, mas como elas sofrem! Principalmente quando a escolhem para fazer seu ninho... É isso que acontece com a barata comum (Periplaneta americana) e a vespa Ampulex compressa. Quando chega a época de reprodução da vespa ela vai procurar locais para fazer seu ninho, lógico. E quando ela encontra uma barata, ela encontrou o local ideal.

Mas como convencer a barata de que ela tem que ser o ninho das futuras vespinhas? "Zumbificação". Brincadeiras à parte, a A. compressa realmente faz todo um ritual para conseguir "convencer" a barata a ser seu ninho. Tudo começa no encontro entre as duas. A vespa vira a barata de patas para o ar e aplica uma ferroada no tórax dela. O veneno injetado paralisa a barata, que fica completamente vulnerável para receber a segunda ferroada, aquela que vai comandar sua mente de vez.

Esse segundo ataque acontece no cérebro do inseto, onde toxinas são injetadas para fazer a barata se limpar e começar o controle mental. Acredita-se que a orientação da vespa nas ferroadas ocorra por algum sensor presente no ferrão.

A vespa se afasta e volta meia hora depois, levando para sua toca a barata, que age como se fosse um cachorrinho preso na coleira. Os neurotransmissores alteraram completamente o metabolismo da barata, que agora consome bem menos oxigênio e deixa a vespa levá-la pelas antenas, sem nenhuma reação.

Chegando na sua toca, a vespa bota de um a dois ovos na barata (depende do tamanho da vítima). Geralmente eles são postos no abdome ou próximos as "axilas" da barata, de forma que ela não possa retirar esses ovos.

Com o tempo, o ovo eclode e a larva vai sugando a hemolinfa da barata. Quando está mais crescidinha, a larva da vespa entra no corpo da barata, onde começa a comê-la viva. Depois a larva vira um casulo e por fim emerge como uma nova vespa adulta, começando um novo ciclo... Quanto a barata, ela acaba morrendo nesse período de oito dias de martírio.

A Evolução pode ter criado todo esse processo para aumentar a eficiência da reprodução da vespa, que, convenhamos, é bem elaborada e com pouquíssimas chances de falhas. Mas que pode ser assustador, isso pode!

Veja toda essa história, do momento de transformação em zumbi até a emersão da nova vespa no vídeo abaixo:

                 


Existem ainda muitos exemplos de seres vivos que transformam outros em zumbis. Acompanhe-os aqui no blog...
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Fonte:
Rainha Vermelha
 LOPES, Reinaldo José. Além de Darwin: evolução: o que sabemos sobre a história e o destino da vida. São Paulo: Globo, 2009. p. 161-166.
Zumbis na natureza #1 - a vespa e a baratinha Zumbis na natureza #1 - a vespa e a baratinha Reviewed by Túlio Lima Botelho on 17:00 Rating: 5

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