Adeus ao Solitário George

As ilhas Galápagos fascinaram e ainda fascinam muitas pessoas em todo o mundo. Darwin ficou extasiado quando chegou nesse arquipélago. Toda sua riqueza de vida contribuiu ainda mais para ele formular sua teoria da evolução. Em cada ilha, ele percebeu diferenças nas espécies. Por mais semelhantes que elas fossem, cada uma possuía características próprias. Hoje sabemos que são subespécies diferentes.

Já falei aqui no blog sobre espécies exóticas. Sua introdução, por mais inocente e bem intencionada que possa parecer no início, sempre vai trazer um impacto na região: alteração de habitat, prejuízos econômicos e até extinção de espécies. Bom, mas o que isso tem haver com Galápagos? Foram introduzidos bodes e cabras nessas ilhas, que alterou muito o ambiente e colocando em risco suas espécies.

Uma delas foi a tartaruga-gigante, que perdeu muito habitat com a competição com as cabras, que acabavam com seu alimento. Além disso, caçadores matavam exaustivamente os quelônios. Dentre todos os indivíduos das tartarugas-gigantes, uma ficou muito famosa: o Solitário George


Último representante das tartarugas-gigantes da ilha La Pinta (Geochelone abgdoni), o Solitário George foi resgatado em 1972 por um grupo de caçadores de cabras da ilha. Com isso, ele virou um dos símbolos da preservação da biodiversidade; não só de Galápagos, mas do mundo inteiro. O último de sua subespécie. Desde 1993, ele foi colocado em programas de reprodução com tartarugas de outras ilhas. Elas eram de subespécies diferentes, mas com proximidade genética. Isso poderia garantir sucesso na reprodução. As fêmeas botaram ovos 2 vezes, só que infelizmente não foram férteis.

O tempo foi passando e George foi ficando ainda mais como o último, não estava dando certo a reprodução. É triste a humanidade ver uma espécie esperando seu fim. As tartarugas vivem muito, mas um dia George passaria desta para uma melhor.

Infelizmente esse dia chegou. Ontem um funcionário do parque encontrou o corpo da tartaruga imóvel. Ainda não se sabe a causa da morte, que deve ser revelada numa autópsia que ainda será feita. Acredita-se que George tinha cem anos, metade da vida média que outros de sua espécie poderiam chegar. 

Esse fato mostra mais uma vez como as ações humanas podem ser desastrosas. A introdução de espécies exóticas sem um cuidado, aliado com a caça predatória definiu o destino desta subespécie, agora extinta. Eu só espero que não seja preciso mais espécies serem extintas para a população perceber o quão destrutivo podem ser nossas ações.

A lembrança do Solitário George vai ficar pra sempre, como aquele que só esperava para ser extinto. Onde seus companheiros de espécie sumiram pouco a pouco e somente ele restou. Pretendem embalsamá-lo para mantê-lo no parque da ilha La Pinta. Será mais um triste sinal do futuro que pode despontar...
Adeus ao Solitário George Adeus ao Solitário George Reviewed by Túlio Lima Botelho on 21:48 Rating: 5

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