O que esperar do futuro agora

A Rio+20 terminou. Por 10 dias o mundo todo discutiu sobre desenvolvimento sustentável, economia verde, valorização dos oceanos e tantos outros temas super importantes e urgentes para nossa sociedade, nosso planeta e nossa sobrevivência.

No início da conferência tivemos todas aquelas discussões das delegações para a formulação do documento final da Rio+20, que seria depois aprovado pelos chefes de Estado nas reuniões de cúpula. Nessa etapa começaram todos os entraves do evento. Para quem esteve por lá, ou acompanhou  o evento de casa, sabe o que diz o documento. Nenhuma meta concreta, nenhuma ambição. Foi isso o que muitos disseram, faltou ambição nas ações que devem ser feitas para ajudar na salvação do planeta e dos seres que vivem nele.

Ontem os chefes de Estado e de Governo presentes assinaram tal documento - intitulado "O futuro que queremos" - e comprometeram-se com o que está escrito nele. Ele foi aprovado sem nenhuma modificação ao texto elaborado pelos delegados. Agora, cá entre nós, em que se baseia esse comprometimento? Reafirmar atitudes que todo mundo sabe que devem ser feitas e que eram temas da própria conferência? Adiar o inevitável? Só lançar para o futuro uma discussão que crise europeia nenhuma tem o poder de atrapalhar? Esse é realmente o futuro que nós queremos, onde só se fala e adia decisões, metas e métodos que são importantes para o futuro de todos, inclusive da Europa pós-crise? Porque ela vai passar, mais cedo ou mais tarde vão dar um jeitinho para isso...

Protesto na Av. Rio Branco
na quarta-feira (20/06). Fonte: G1
No entanto, enquanto no Riocentro falava-se muito mas não se chegava a um gesto concreto nas discussões da Conferência, em vários outros pontos do Rio de Janeiro os diversos eventos paralelos traziam sim algo de concreto, por mais simples que fossem. Foram produtos sustentáveis, com melhor gasto energético e muitos outros exemplos que passaram pelo Forte de Copacabana. Na PUC, cientistas discutiram o que realmente deveria ser feito e fizeram suas sugestões, que foram enviadas à Conferência. As maiores cidades do planeta assumiram compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa. A Cúpula dos Povos reuniu milhares de pessoas, que juntas mostraram que o povo tem força, tem ideias e tem desejos de um mundo melhor de se viver. Diversos protestos - a grande maioria pacíficos - passaram sua mensagem de que o povo estava atento ao que acontece no planeta e ao que precisa ser feito.

Essa participação da sociedade civil talvez seja uma das melhores coisas que aconteceu em toda a Rio+20. Enquanto governantes não chegaram a um consenso, o povo mostrou o que queria e fez o que devia ser feito. Quem se preocupa mesmo com planeta faz o que precisa ser feito: recicla, controla emissões, tenta reduzir, mesmo que de sua maneira, qualquer agressão que possa ser feita contra o meio ambiente. Se os chefes não querem, NÓS queremos um futuro melhor!


Concordo com o André Trigueiro quando ele diz que após a conferência temos um mundo melhor. Pelo menos um mundo onde muita gente não hesitou em falar o que deseja e que sempre vai lutar pelo que quer. Nosso mundo não é povoado por pessoas que esperam sentadas as decisões, eles vão à luta. Eu acho que isso já um começo para o futuro que nós queremos.

Só que eu não tiro a responsabilidade dos governos, nunca! A preservação do meio ambiente é um trabalho conjunto entre população e poder público. Só que ele também devem honrar sua parte. Por mais que as pessoas se comprometam em ajudar, o Estado tem suas obrigações. É ele quem irá regular as atividades de quem não quer fazer nada e de grandes empresas. Leis, convenções, tudo isso é necessário fazer. Sem imposição e sim informação do que é certo a fazer e que isso não prejudica suas atividades, suas economias.

Me lembro que nos filmes-catástrofe, por mais que no começo ninguém dê atenção ao cientista, todos viram amigos do planeta quando tudo é destruído, e finalmente o mundo percebe que eles tiveram parcela no que aconteceu e que agora vão mudar. Só que não era tarde demais? Tomara que na vida real isso, enfim, não aconteça. Porque quando Gaia se revoltar, fazendo todo um rebuliço para colocar as coisas em ordem, talvez grutas nas Montanhas Rochosas não vão ser suficientes para salvar a humanidade do pior.
O que esperar do futuro agora O que esperar do futuro agora Reviewed by Túlio Lima Botelho on 12:33 Rating: 5

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