O real valor dos oceanos

Já parou para pensar o quanto você é dependente dos recursos oceânicos? Mesmo que você more muito longe de algum oceano (como eu aqui em MG), você utiliza algum serviço que ele oferece. Duvida? Então vamos começar por algo que você utiliza involuntariamente para atender uma das mais primitivas funções vitais: o ar que você respira.

Quando dizem que a Amazônia é o pulmão do mundo, deveriam dizer que ela é apenas um pulmão. Sem desmerecer o oxigênio liberado pela maior floresta do mundo (que é importantíssimo!), a maior parte de oxigênio liberado na atmosfera vindo da fotossíntese provém dos oceanos. Milhares de algas microscópicas, que compõem o fitoplâncton, liberam o oxigênio no mar e outra parte vai para a atmosfera. Agora compare o tamanho da Amazônia com o dos oceanos... Os vegetais marinhos ocupam maiores espaços não é verdade?

Mas você não vive somente de ar. O que os oceanos nos fornecem e que usamos na nossa alimentação? Peixes, claro (dãã...). Utiliza-se atum, sardinha, salmão; industrializados ou frescos. Existem também os frutos do mar, muito apreciados principalmente nos quiosques de praia. Há quem goste de algas, uma das marcas da culinária japonesa. Existe uma enorme variedade de seres vivos oceânicos que alimentam a espécie humana há gerações. Pena que este estoque está diminuindo...

http://pulsoeletromagnetico.blogspot.com.br/2010/06/08-de-junho-dia-mundial-dos-oceanos.htmlOs oceanos também atuam como reguladores do clima do planeta. Eles absorvem boa parte do calor terrestre e acomodam as variações de temperatura. Se não fossem eles, teríamos picos de temperatura bem extremos. Como já tinha falado antes, a fotossíntese do fitoplâncton faz dos oceanos os maiores sumidouros de carbono do planeta, absorvendo cerca de 90% das emissões de gás carbônico. As mesmas emissões tão temidas quando se fala em aquecimento global.

Isso sem falar na beleza que mora nos oceanos, cuja imensidão sempre fascinou os seres humanos. Recifes de coral, esponjas, estrelas-do-mar, peixes de mil e uma cores. Só quem já teve esse contato sabe o quanto os oceanos podem ser belos. Belos e temidos.

Infelizmente, parece que esse temor está sendo substituído por afronta, pois os oceanos passaram a ser um dos lixões do planeta, antro de caçadas sanguinárias, lugar que não recebe o mínimo respeito. E, como sempre, a falta de conhecimento, ou melhor, a falta de interesse em conhecer, coloca em risco todas as maravilhas que esse ambiente nos dá.

Os oceanos não são somente os lugares onde passamos o feriado prolongado, ou pesqueiros que nunca vão acabar e que pode-se pescar de qualquer forma qualquer espécie. Para quê pescar um tubarão para usar somente a barbatana, deixando-o morrer aos poucos por perda de sangue? 

Divulgação da importância desse ecossistema existe, caso contrário não estaria na agenda de discussões de grande conferências. A Rio-92 já lembrava da necessidade de se instituir reservas marinhas. Parece que a coisa não saiu bem como planejado. No Brasil, menos de 1% de seu ambiente marinho é protegido. Esse ano, na Rio+20, a pauta da conservação dos oceanos voltou. Mas do que nunca é necessário olhar com atenção para esse ambiente que recebe todo tipo de dejeto humano e que, mesmo assim, vai aos trancos e barrancos fazendo seus serviços; úteis para todas as espécies do planeta.

                           Dia Mundial dos Oceanos: Nem tanto ao mar

Do jeito que as coisas andam lá no Rio, parece que não vão sair muitas decisões. Mas tomara que o contrário aconteça. Os tomadores de decisão devem ouvir o que os cientistas têm a dizer, isso é essencial para compreender a que ponto está toda a situação. E que no final das contas, os oceanos sejam conservados. Respeitar o pescado, eliminar a poluição; pois até o ar que respiramos vem dessas águas. Se nada for feito, a Amazônia não dará conta...
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