Dos protetores da floresta aos gatos temidos: o que folclore tem a ver com o meio ambiente

Todo mundo conhece as histórias do saci pererê, mula-sem-cabeça, boitatá e muitas outras que fazem parte da sabedoria popular, do folclore brasileiro. Essas histórias, passadas de geração em geração, existem desde antes dos europeus chegarem ao Brasil e sempre tem suas relações com a natureza. Isso acontece principalmente com as histórias originadas dos costumes indígenas, que convivem com a floresta e sabem o quanto eles dependem dela para sua sobrevivência.

Muitos personagens folclóricos estão associados com a proteção da natureza, como o Curupira. Esse ser fantástico é super conhecido por ter os pés virados para trás e cabelos cor de fogo. Ele anda pelas florestas olhando pelas plantas e animais e pune qualquer um que tente ameaçar a natureza que ele tanto ama.

Diz a lenda que, se o Curupira encontra algum caçador na mata, faz de tudo para desorientar o cara: assobia, geme, grita e imita animais para enganar o caçador e fazer com que ele se perca na floresta. Somente uma pessoa muito esperta seria capaz de enganar o Curupira e sair ileso de uma caçada que essa entidade interferiu.

Outra ação dele em defesa da natureza é em caso de aproximação de grandes tempestades. Sempre que se aproximam, o Curupira percorre toda a floresta batendo nos troncos de árvores para ver como eles estão. Nos locais onde as árvores estão fracas, ele alerta os animais a não se refugiarem ali por causado risco da árvore cair.

Aparentado com o Curupira, o Caipora é outra entidade que protege a natureza. Às vezes você se lembra dele no Castelo Rá-tim-bum da TV Cultura. Essa entidade tem várias aparências, dependendo da história de quem a teria visto: ora um pequeno índio com cachimbo na boca, ora uma criatura peluda que anda montada num porco do mato.

Ele é o protetor dos animais e por isso faz de tudo para impedir a caça em seus domínios, sobretudo quando se caça mais do que para o sustento próprio. Assim como o Curupira, o Caipora faz barulhos para confundir o caçador e fazer com que ele se perca na mata, e aprender de uma vez por todas que não deve fazer sua caça predatória. E cuidado quem for caçar em sextas, domingos e dias santos! Diz-se que nesses dias Caipora intensifica suas ações de proteção da natureza.

As histórias sobre esses personagens mostram um certo respeito e temor ao mexer com a natureza: agindo mais do que o necessário e permitido, as punições seriam severas. Com isso, as pessoas teriam um cuidado maior ao caçar ou utilizar os recursos naturais, agindo de forma que a floresta se regenerasse e sempre fosse possível utilizar seus frutos.

No entanto, o folclore também criou mitos que prejudicam alguns seres vivos. Vou falar de um que talvez seja clássico e muitos indivíduos pagaram por algo que talvez nem tenham ideia do que seja: o gato preto. Considerado ser maligno, que traz má sorte e ser animal de bruxas e outras criaturas más, muitas pessoas tem verdadeira aversão aos gatos dessa cor e muitas vezes fazem matanças achando que estão limpando mundo do mal. Bom, até que se prove o contrário, não existe nada que comprove essas crenças. Esse ano, nas sextas-feiras 13, vi muitas imagens no facebook defendendo os bichanos e pedindo para ficar de olho nas pessoas que querem adotar os gatos, pois muitos rituais são feitos nesses dias e os coitados morrem por algo que eles não tem nada a ver. Chega de medo de gato preto viu, se você ver um na rua e for atropelado a culpa não será dele, será sua que fugiu e nem viu o carro; o bichinho é inocente!

Enfim, o folclore de um país traz muitas histórias e costumes que estão intimamente ligados à vida daquela população, da mesma forma que o meio ambiente. Por isso ambos se fundem em histórias como as que falei nesse post. E bem que seria legal que o Curupira e o Caipora não fossem só lendas. Eles sim dariam um jeito para proteger o meio ambiente...
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