Metas para um candidato a prefeito #3 - Recursos hídricos

Algo totalmente relacionado com o saneamento básico (tema do último post desta série) são os recursos hídricos de uma cidade. Diariamente, rios e córregos que passam pela zona urbana recebem toneladas de lixo e esgoto produzidos pela população. Toda essa poluição atrapalha o dia-a-dia de quem passa por esses locais, já que o cheiro é insuportável. Sem falar no risco de doenças que surgem com os rios poluídos: verminoses, diarreias e doenças causas por vetores (como os mosquitos e ratos) vão aparecer com maior intensidade, piorando a situação de todos que vivem no entorno.


E o problema não acaba por aí. O rio continua seguindo seu curso até o mar e junto com ele vai a poluição. Dessa forma, todo o ecossistema adjacente à cidade será comprometido com a poluição lá gerada. Infelizmente, os inocentes vão pagar pelos atos da poluição urbana.

Como eu havia dito no post do saneamento básico, a solução para esse problema é a construção das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Com os acordos de outorga do uso da água para a companhia de saneamento, as prefeituras agem junto a essas empresas na construção e funcionamento adequados das ETEs.

Outro problema em relação aos cursos d'água urbanos são quando eles transbordam e causam enchentes. Muitas causadas por lixo demais que a população lança nesses locais, as enchentes são um problema típico de várias cidades, independentes do tamanho. Muitos projetos para resolver isso são feitos, mas um particularmente é desastroso e as prefeituras devem EVITAR ao máximo fazer isso: a canalização dos rios. Tá, você me pergunta: mas não seria bom, acabando com o risco das enchentes? É, mas a canalização não acaba totalmente com esse risco e é péssimo para o meio ambiente.

Canalizado, o rio receberá uma pressão muito maior da água da chuva, já que as cidades estão com o solo impermeabilizado. Uma hora ou outra tudo pode se romper ou a enchente pode acontecer bem a frente da cidade, atingindo lugares inocentes. Outro impacto grave da canalização de rios é a mortandade dos seres vivos da água. Com o fim da luz solar chegando, os seres que fazem a fotossíntese vão morrer, provocando um colapso em todo o ambiente. Quando sai da cidade, o rio carregará seres mortos, micro-organismos decompositores e compostos altamente poluentes que irão afetar os lugares adjacentes à cidade. Mais uma vez eles vão pagar o pato.


Por isso, o ideal é que sejam feitas obras de proteção das margens, aumentando a vegetação ciliar. Um ideia é fazer calçadões para caminhadas, ao lado dessa vegetação. Cria um clima gostoso para a prática de exercícios, com sombra para os pedestres e a água correndo embaixo. E com as árvores, o risco de enchentes é reduzido. Só que, juntamente com essas obras, deve-se fazer a limpeza desse rio, pois só será legal fazer caminhadas onde não há cheiro ruim.

Na zona rural, as prefeituras também podem atuar na conservação dos recursos hídricos do município. Atualmente, os maiores problemas de um rio longe das cidades são os agrotóxicos e o assoreamento. E esses dois problemas podem ser resolvidos com ações de fiscalização, mobilização e participação da comunidade local.

A redução da poluição por defensivos agrícolas é feita com a conscientização sobre o uso responsável deste produto. Campanhas de informação, visitas às fazendas e divulgação de alternativas ajudam nessa redução. É preciso enfatizar a importância da tríplice lavagem das embalagens vazias, o descarte adequado das mesmas e o respeito à dosagem prescrita pelo receituário agronômico. A superdosagem é altamente prejudicial tanto para quem aplica o defensivo, quanto para quem vai consumir da lavoura e para os recursos hídricos. O agrotóxico escorre e vai parar num córrego próximo ou desce até o lençol freático - quando aplicado em tempos de chuva, as chances disso acontecer são muito maiores - contaminando-os e comprometendo todo o ecossistema. Por isso é bom as prefeituras, em parceiras com ONGs e outros grupos, estimularem alternativas como os defensivos orgânicos e o controle biológico de pragas. Caso os defensivos químicos tenham que ser usados, que seja feito de forma responsável.


Outro grave problema é o assoreamento, ocorrido após o corte da mata ciliar. Muitas são totalmente dizimadas para dar lugar a lavouras, que não realizam a mesma função da vegetação anterior. As prefeituras devem investir em educação para os produtores rurais manter as vegetações em torno dos rios que cortam suas fazendas, pois elas garantem a integridade do rio.

Os novos prefeitos tem mais um serviço pela frente. São atitudes fáceis, basta haver vontade de trabalhar e fazer a mudança. Os recursos hídricos de uma cidade são importantes não somente para beber, mas para garantir uma melhoria do clima da cidade. Sem esquecer, claro, que o rio vai seguir seu curso, passar por outros lugares. Garantir a preservação dos rios e garantir vida por todos os lugares por onde ele passa, inclusive a de seus eleitores. 
Metas para um candidato a prefeito #3 - Recursos hídricos Metas para um candidato a prefeito #3 - Recursos hídricos Reviewed by Túlio Lima Botelho on 12:39 Rating: 5

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