Em busca da sustentabilidade - Energia Hidrelétrica

O ser humano sempre buscou novas formas de energia: fogo, vapor, combustíveis fósseis... Sempre para facilitar sua vida e dar mais algum conforto. Só que nos últimos anos, a busca por formas de geração de energia, principalmente a elétrica, vem trazendo várias polêmicas sobre as melhores, mais seguras e sustentáveis formas de geração.

Como vimos nos posts dessa série sobre as energias sustentáveis, a geração de energia elétrica pode ser feita de muitas maneiras, umas mais eficientes que outras, mas todas de forma sustentável, amiga do meio ambiente. Só que em certos países, como o Brasil, a energia hidrelétrica ainda é a principal matriz energética e, mesmo sendo considerada renovável, ela está longe de ser limpa ou sustentável.


A geração de energia elétrica nas usinas hidrelétricas se baseia na conversão da energia cinética da correnteza do rio em eletricidade nas turbinas e conversores da usina. No entanto, a maioria das usinas possui grandes barragens para armazenar a águas dos rios, de modo que a força da correnteza nas turbinas será maior. E nessas barragens que está o grande impacto da hidroeletricidade.

Como todos já devem ter ouvido falar, para construí-las uma imensa área precisa ser alagada. E nessa imensa área existem cidades, povoados e muita natureza. Agora imagine uma região como a Amazônia: enorme quantidade de água, ao lado de povoados, aldeias indígenas e a maior floresta tropical do mundo. Tente construir uma barragem de hidrelétrica aí para ver os resultados, será que todos serão bons?

Quando a inundação começa, as pessoas tem de ser realocadas em novos locais. Seja em novos povoados, novas aldeias ou nas cidades próximas. Só que dificilmente será como ou melhor que antes. Se uma família ribeirinha foi para uma cidade que não conhece muito bem, vai viver do quê, como? Em sua antiga casa ela tinha seus locais de pesca e coleta. Os índios, que por gerações viveram sobre o mesmo solo, com tanta riqueza e tradição, simplesmente são postos pra fora e colocados em uma terra que eles não reconhecem como deles.

E a floresta, como fica? Os animais que conseguem sobreviver e não são levados para áreas seguras, podem morrer por falta de alimento. As árvores, pouco a pouco, vão morrer por causa da inundação. Vai faltar alimento para os bichos, e essa cadeia de eventos só leva à destruição e morte, pois com a decomposição dos seres vivos na inundação, as águas vão acabar poluídas com tanta matéria orgânica que todo o rio pode ser comprometido. Isso sem falar na alteração dos movimentos dos peixes e sua ocorrência.

Enfim, esses impactos, aliado ao péssimo planejamento da construção, fizeram das usinas de Balbina (AM) e Tucuruí (PA) verdadeiros desastres ambientas nos rios amazônicos. Grandes inundações, para resultar em usinas que não geraram a energia que era planejada. Elas só serviram para destruir grandes áreas da Amazônia e matarem os rios em que estão localizadas. E agora, com Belo Monte, esse temor volta com muita força, ainda mais após os intensos debates, protestos e uma licença ambiental totalmente duvidosa.

Bem, mas parece que estão tentando buscar algo de sustentável nessa construções faraônicas. Em vez de investir em energias mais limpas e com baixíssimos impactos, nos lugares onde ainda se utiliza muito a energia hidrelétrica, como o Brasil, estão sendo desenvolvidas novos equipamentos de geração de energia. Um exemplo são turbinas subaquáticas, muito semelhantes às da energia maremotriz, chamadas turbinas subaquáticas de fluxo livre. Elas são movimentadas pela correnteza e com isso geram a energia sem a construção das barragens.

Outra tecnologia, utilizada na usina de Santo Antônio, em Rondônia, são as turbinas tipo bulbo. Elas são movidas pela força natural do rio (e as características do rio Madeira contribuíram para essa escolha), sem a necessidade da construção de grandes represas. Outra novidade é um sistema de transposição de peixes, que é um caminho por onde eles passarão, sem que precisem se arriscar nas barragens da usina. Com tudo isso, os impactos à floresta e às populações locais são reduzidos. Mas ainda existirão...

Fonte: iG

Por mais que se tente modificar as tecnologias, a energia hidrelétrica é uma matriz que causa grandes impactos. Ainda mais na Amazônia, onde os olhos dessas usinas estão voltados. O essencial seria mais pesquisas para as outras formas de energia, como a solar ou a eólica, que são totalmente limpas. Aumentar a eficiência dessas matrizes pode ser a diferença para viver num mundo com eletricidade (da qual já ficamos dependentes) e um ambiente preservado.


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