Espécie do mês - Araucária

O Natal está chegando e já vemos pinheiros aos montes nas decorações natalinas. Só que sempre são reproduzidos os pinheiros de outros países, por força da tradição. Mas engana-se quem pensa que o Brasil não tem seu representante nativo do grupo das gimnospermas. Nas últimas porções de uma mata nativa do Sul e parte do Sudeste do Brasil, mora o único pinheiro nativo do país: a araucária (Araucaria angustifolia), também conhecida como pinheiro-do-paraná.



Ela é considerada o símbolo do Paraná e está presente em brasões de várias cidades por onde ela ocorre. A importância do pinheiro-do-paraná para o homem é tão grande quanto seu tamanho, que pode chegar a 50 m de altura e até 2,5 m de diâmetro no tronco. Possui o caule rugoso e de casca dura. Suas folhas são aciculares ("em foma de agulha") e formam grandes ramos pelos galhos, que se dispõem de uma forma bastante peculiar e diferente dos outros pinheiros. A copa da árvore é em forma de umbela (ou candelabro), com a maioria dos galhos concentrada na parte superior do vegetal, com o caule abaixo sem nada.

Seus frutos são conhecidos como pinhões, muito apreciados por aves, mamíferos e humanos. Na culinária do Sul, ele está presente em várias receitas e possui importante valor nutritivo. De suas folhas são extraídas importantes substâncias no combate à inflamações e artrite.


Mas o maior uso dessa árvore, e que foi o maior de seus problemas, foi a exploração da madeira. Embora considerada uma madeira mole, foi muito utilizada na construção de móveis, mastro de navios, caixas, caibros e até palitos de fósforo. Isso sem falar do potencial de geração de calor que essa madeira possui, utilizada em locomotivas, fornos e metalúrgicas.


Atualmente essa árvore ocupa áreas do Sul do Brasil, aparecendo pequenas manchas em São Paulo e no sul de Minas Gerais. No entanto, antigamente ela ocupava grandes extensões, ocupando uma área original de aproximadamente 200 mil km² (hoje restam apenas 3% da extensão original). A araucária foi intensamente explorada para fins comerciais a partir do século XIX, principalmente pela sua madeira utilíssima. Por causa disso, essa espécie está criticamente ameaçada de extinção.

A recuperação desse bioma, infelizmente, anda devagar, pois não são feitas muitas mudas para reflorestamentos e o desmatamentos só aumentam. Tem-se levantado a importância de instituir reservas onde ocorrem alguns indivíduos para que fiquem preservados, mas isso é complicado principalmente com a nova legislação florestal brasileira.

E além de preservar as árvores já existentes, é essencial a conservação de vários animais que atuam como dispersores de suas sementes. A gralha-azul, no Paraná, e outras aves, espalham como ninguém os pinhões. Outro animal que faz esse serviço muito bem e que deve ser preservado é a cutia. Amante dos pinhões, ela os enterra para comer depois. Só que o bichinho esquece onde as enterrou. Dessa forma, as sementes germinam e dão origem a uma nova árvore. Por esse motivo, é importante preservar esses animais.

Enfim, essa é mais um espécie brasileira ícone em sua região e infelizmente ameaçada de extinção. E como o Natal e o Ano Novo estão chegando, vamos torcer que nos próximos anos essa realidade mude, e que nossas árvores de Natal possam ter um formato diferente, lembrando seus modelos naturais nativos das florestas do Sul do país.
Espécie do mês - Araucária Espécie do mês - Araucária Reviewed by Túlio Lima Botelho on 17:54 Rating: 5

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