Saldo Final - 2012

2012 já está chegando ao fim. No primeiro post que fiz esse ano, citei alguns eventos que eram aguardados para esse ano: Olimpíadas, eleições, fim do calendário maia, Rio+20. O calendário maia terminou e se a mudança que a profecia dizia aconteceu, não foi nada de catastrófico como muitos pensaram.

Mitos à parte, 2012 foi um ano de profundas reflexões na área ambiental. Além das conferências de clima e biodiversidade (as COPs), tivemos a tão aguardada Rio+20, cheias de promessas e poucos resultados concretos.

Durante a conferência, vimos milhares de pessoas pedindo por um mundo melhor, mostrando as realidades de cada canto do planeta e como eles são afetados por descasos em relação às questões socioambientais. No Riocentro, representantes das delegações faziam discussões intermináveis sobre parágrafos e palavras a serem incluídas no relatório. No Aterro do Flamengo, a Cúpula dos Povos continuava dando o alerta sobre os riscos do modo de vida atual e da pretendida economia verde.

As incertezas do documento final (intitulado O Futuro que Queremos) foram comprovadas ao final das discussões dos chefes de Estado. O texto aprovado não trouxe nada de concreto e imediato, apenas ideias para serem desenvolvidas em eventos futuros. A conferência acabou do sem nada definido sobre o que fazer com a mudança climática, biodiversidade ou preservação dos oceanos. Diversos assuntos que eram esperados para serem discutidos sequer tiveram sua vez.

Tão decepcionante quanto o resultado final da Conferência foi os desdobramentos da votação do novo Código Florestal brasileiro. Depois de ficar em tramitação por muitos anos, o texto aprovado no Congresso e encaminhado para a sanção da presidenta foi nada conservacionista, resultado da bancada ruralista. Alguns vetos foram feitos, o que amenizou um pouco o problema. No entanto, ao fim de mais discussões, a nova lei diminuiu drasticamente o tamanho das matas ciliares: as nascentes terão apenas 15 metros de vegetação ciliar e em algumas propriedades elas não serão mais obrigatórias. Topos de morros não são obrigados a possuírem cobertura vegetal e desmatadores não são obrigados a recompor áreas, deixando o dano por aí, piorando ainda mais o impacto causado.

Outro evento que aconteceu em 2012 e que traz toda a carga econômica acima da ambiental foi a COP 18, a Conferência do Clima, realizada no Catar. Novamente não foi acertado nada concreto sobre as reduções das emissões de gases de efeito estufa e, ao invés de mais países aderirem ao Protocolo de Kyoto, Japão, Canadá, Rússia e outros países poluidores deixaram o Protocolo. Os EUA, pra variar, nem aderiram. Foi um resultado decepcionante, mesmo com a renovação do Protocolo até 2020. Enquanto alguns países continuam querendo reduzir suas emissões, seguindo as diretrizes de Kyoto, outros deixam de segui-lo. Isso é algo triste, pois o longo prazo está sendo esquecido e mesmo com qualquer coisa que se acumule hoje, talvez não poderemos utilizá-la amanhã.

Em Hyderabad, Índia, foi a vez das discussões sobre biodiversidade na COP 11. Como nas outras conferências, muito se disse, pouco se fez. Mas nessa COP bons resultados também surgiram: diversos órgão firmaram acordo de financiamento de preservação da biodiversidade, além de mais países ratificarem o Protocolo de Nagoya. No entanto, a grande discussão sobre a preservação dos oceanos não deu passo algum. Embora alguns países tenham aumentado suas áreas de proteção marinhas, a porcentagem ainda é pequena em comparação com os 10% definidos em 2004.

Enfim, 2012 foi um ano com grandes discussões ambientais que não deram resultados relevantes. Embora alguns passos tinham sido dados, ainda são pequenos e precisam tomar a direção correta. O pensamento de riqueza a curto prazo ofusca a necessidade de um mundo para gastá-la em longo prazo. Que 2013 traga mudanças na forma das pessoas verem o mundo, porque muitos ainda precisam se tocar na importância do mundo melhor. Por mais clichê que isso soe, é a realidade!

Os maias disseram que uma mudança ocorreria ao fim de seu calendário. Tomara que ela esteja relacionada na forma que as pessoas veem o mundo. E que a partir desse novo ciclo, as atitudes comecem a mudar e poderemos olhar para um futuro melhor, sem a iminência de uma catástrofe predita nos filmes.


2012 também foi um ano muito bom para mim aqui no blog. Tive mais tempo de preparar os artigos para postar e percebi um retorno maior de quem passava por aqui. Por isso queria agradecer esse apoio e contar com todos ano que vem, para mais encontros de conhecimento da natureza e preservação do mundo em que vivemos. Muito obrigado e ótimo 2013 a todos!
Saldo Final - 2012 Saldo Final - 2012 Reviewed by Túlio Lima Botelho on 13:53 Rating: 5

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