A importância da variabilidade genética na conservação das espécies

A conservação de uma espécie depende de muitos fatores que são decisivos na ocorrência, ou não, de extinção. A oferta de alimento, abrigo, parceiros reprodutivos, habitat sadio e populações estáveis contribuem para que uma população persista em um ambiente por muito tempo. Mas, em tempos difíceis, uma característica se mostra decisiva para garantir o sucesso de uma espécie, a variabilidade genética.


Antes de mais nada é bom lembrar alguns conceitos. O conjunto dos genes de um indivíduo é chamado de genótipo. É no genótipo que estão todas as informações que o ser vivo tem para determinar sua constituição física, modo de vida e outras características. E os seres vivos estão constantemente sendo postos à prova numa luta pela sobrevivência. Assim como Darwin nos disse, todos os seres vivos lutam por alimento, abrigo, parceiros reprodutivos e o que mais ele precisarem. Nessa luta, sobressaem os mais "equipados" para vencer essa batalha. E o que vai atuar aí é a seleção natural, que seleciona aqueles mais aptos a determinada circunstância em determinada época a permanecerem nessa eterna batalha pela vida.

Em uma população, cada indivíduo é único em seu genótipo, embora apresente o padrão cromossômico de sua espécie. Mas em algum momento, pode acontecer mudanças nos genes, as chamadas mutações. Uma mutação pode surgir de diversas formas durante a síntese de DNA nas células e elas podem trazer vários resultados. Muitas vezes elas são lembradas apenas pelos malefícios que podem trazer: doenças, más formações... Só que uma mutação pode ser muito importante.

Às vezes, as mudanças que o DNA sofre faz surgir alguma característica que pode ser útil a determinado momento a um indivíduo. Agora imagine muitas dessas novas habilidades surgindo em uma população. Aos poucos, uma população que tinha genótipos muito parecidos passa a ter uma variedade imensa de genes, cada um codificando uma característica única. A essa variedade de genes presentes em uma população, sendo eles benéficos ou não, dá-se o nome de variabilidade genética.

A variabilidade genética de uma população é muito importante para a sua conservação. Se houver alguma alteração em seu habitat, todos os membros desse grupo irão sentir os efeitos da mudança. Para não ser extinta desse lugar, a população deve ser adaptar de alguma forma à mudança. E as chances de adaptação estão justamente em seus genótipos. Se algum indivíduo possuir um gene que consiga fazer com que ele resista a mudança (ação da seleção natural), ele vai sobreviver. Caso contrário, a realidade pode não ser muito boa.

Um exemplo de como um novo gene pode contribuir para a sobrevivência de indivíduos de uma população é o clássico caso das mariposas de Manchester. Nessa cidade inglesa, antes da industrialização, a população da mariposa Biston betularia era composta, em sua grande maioria, de indivíduos brancos. Elas se camuflavam sobre os liquens de cor branca que existiam nas árvores, protegendo de ataques de pássaros, que acabavam comendo os indivíduos de cor preta. Com a poluição decorrente da chegada das indústrias ali, os liquens morreram, os troncos das árvores ficam escuros e as mariposas brancas estavam vulneráveis à ação dos preadores (ação da seleção natural). Aquela população podia ser extinta, mas a variedade melânica (de cor preta) passou a se camuflar na fuligem, sobrevivendo.

Nesse caso, a variabilidade genética dentro da população de mariposas foi muito importante para que ela não fosse extinta, já que os genes que conferiam o melanismo possibilitaram que alguns indivíduos se adaptassem à nova realidade. Só que muitos fatores podem prejudicar essa chance de uma espécie permanecer viva diante das adversidades que ela pode enfrentar. Talvez a redução de seu habitat e o isolamento de populações sejam os principais obstáculos para a manutenção da variabilidade genética.

Com a redução do habitat populações ficam isoladas, comprometendo sua reprodução. Numa mata, onde antes micos de diferentes partes e populações se encontravam para reproduzir, agora eles são impedidos de fazer isso por causa de desmatamentos que surgiram em diferentes pontos dessa mata, isolando essas populações. Então, na época reprodutiva, esses animais irão cruzar entre si, às vezes com irmãos, pais ou mães, reduzindo drasticamente a diversidade genética.

A prática da endogamia é muito prejudicial a uma população, já quando parentes próximos se reproduzem, as chances de uma doença genética da família se manifestar nas novas gerações é muito maior. Com isso, os números vão diminuindo e a espécie ruma para a extinção. Quando a população está muito isolada e em números muito pequenos, é muito difícil que ela, sozinha, aumente seus indivíduos.

Manter ambientes conservados para que se mantenha a variabilidade genética das populações é fundamental para que elas não entrem em extinção. Onde essa variabilidade se faz presente, as chances da espécie resistir a qualquer pressão que o meio imponha é bem maior. Dessa forma, ela pode persistir nesse mundo por muito tempo, na eterna luta pela sobrevivência.
A importância da variabilidade genética na conservação das espécies A importância da variabilidade genética na conservação das espécies Reviewed by Túlio Lima Botelho on 14:30 Rating: 5

3 comentários:

  1. Variabilidade genética é tudo! ^.^

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  2. Quem é o Principal Responsável pela variabilidade nas Plantas genética...?

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    1. Sim, as mutações que surgem nos genes das plantas, assim como em qualquer outro ser vivo, é responsável pela variabilidade.

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