Espécie do Mês - Coral-cérebro de Abrolhos

Os oceanos abrigam uma infinidade de formas de vida. Os membros do filo Cnidaria, como os corais e as águas-vivas, são ricos em formas e conhecidos por suas células urticantes. Como dito, a riqueza de suas formas espanta quem visita um recife de corais e o Brasil possui um espécie nativa do arquipélago de Abrolhos, o Coral-cérebro de Abrolhos (Mussismilia braziliensis).


Esse animal tem esse nome por causa da forma de sua estrutura, que lembra o órgão do Sistema Nervoso. Endêmica no arquipélago, o coral-cérebro de Abrolhos forma grandes chaperões, a grande forma de domo, que pode chegar a 10 metros de diâmetro. Alimenta-se de plâncton e matéria orgânica dissolvida na água.

O M. braziliensis é uma espécie hermafrodita, liberando seus gametas diretamente na água. Essa liberação ocorre de março a maio e acredita-se que essa liberação não seja ao mesmo tempo que a de outras espécies de coral. Assim as chances de desperdício de gametas são reduzidas e não há competição entre larvas de diferentes espécies para de fixar. As larvas, chamadas plânulas, vivem de forma planctônica até chegar a época de encontrar um substrato e se fixar. Quando isso acontece, ele começa a desenvolver a estrutura calcária típica do coral. Enquanto isso, essas larvas podem se associar à zooxantelas. Essas algas dinoflageladas vivem numa simbiose com diversas espécies de corais, onde eles oferecem proteção e a alga oferece parte da energia produzida por ela na fotossíntese.

Os recifes formados por esses corais formam um ambiente próprio para vários peixes e outros invertebrados viverem. São como grandes jardins submarinos essas formações e quando um coral morre, seu esqueleto calcário serve de substrato para as próximas gerações. Mas infelizmente, as alterações na química dos oceanos tem comprometido à vida de diversas espécies de coral, entre elas o coral-cérebro.

Protegido no Parque Nacional Marinho de Abrolhos e mesmo sem estimativa populacional, o coral-cérebro de Abrolhos sofre com doenças que chegam vindas de visitantes humanos e correntes marinhas. A poluição que pode chegar lá também dificulta muito a sobrevivência dos indivíduos. Para completar, o M. braziliensis também está sofrendo o processo de branqueamento observado em corais do mundo todo. Devido ao aquecimento das águas do oceano e acidificação das mesmas, a estrutura calcária sofre corrosão, levando, muitas vezes, o coral à morte.

Por isso é muito importante medidas de proteção aos oceanos, pois a extinção de uma espécie de coral pode comprometer a vida de todo o ecossistema. Torçamos para que num futuro próximo, Abrolhos não fique menos colorido.

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REFERÊNCIAS:
Espécie do Mês - Coral-cérebro de Abrolhos Espécie do Mês - Coral-cérebro de Abrolhos Reviewed by Túlio Lima Botelho on 12:03 Rating: 5

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