O problema dos POPs

A indústria química produz uma série de substâncias que usamos diariamente. E muitas delas, senão todas, possui capacidade poluente quando descartadas incorretamente na natureza. Porém alguns deles, por sua difícil degradação e capacidade acumulativa nos seres vivos se destaca como um sério problema ambiental e de saúde. São os chamados Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs).

POP

Os POPs são formados através de diversos processos industriais, como a produção de PVC, papel, incineração do lixo, produção de produtos agrícolas e derivados do cloro. Eles podem ser agrupados em pesticidadas (DDT, aldrina, toxafeno e outros), policlorobifenilos (PCBs) e dioxinas e furanos.

Esses compostos são liberados na natureza como resíduos de processos industriais, no uso de agrotóxicos ou outras substâncias químicas ou produtos que tenham POPs em sua composição. Para ser considerado um poluente orgânico persistente, a substância deve persistir no meio ambiente, possuir capacidade de "se mover" rapidamente pelo planeta, acumular-se nos seres vivos, ser altamente tóxico, mesmo sem entrar em contato com outros compostos e causar diversos transtornos de saúde graves.

Uma vez liberados no meio ambiente, essas substâncias não se degradam facilmente, seja por ação química, biológica ou fotolítica. Eles persistem no ambiente e conseguem percorrer distâncias enormes sem que seu toxicidade diminua. Às vezes, uma praia pode ser contaminada com um POP mesmo estando a quilômetros do local onde ele foi liberado.

Outra grave característica é a bioacumulação. O DDT, por exemplo, foi um pesticida usado em larga escala para erradicar diversos insetos vetores de doenças. Levado pelo vento, entrava em corpos d'água, contaminando insetos que serviam de alimento para peixes. Era o início da presença do DDT na cadeia alimentar, que podia causar câncer em pessoas que ingeriam peixes contaminados. Os POPs permanecem nos seres vivos por muito tempo sem perder seu potencial tóxico, causando danos mesmo em cadeias com muitos consumidores. Além do câncer, os POPs ainda desregulam diversas funções hormonais e neurológicas, causa problemas de fertilidade, cardiovasculares, renais entre outros.

Para tentar acabar com esse problema, prevenindo mais danos ao meio ambiente e à saúde, 151 países assinaram em 22 de maio de 2001 a Convenção de Estocolmo. O objetivo da Convenção é proteger a saúde humana e o meio ambiente dos efeitos desse perigoso grupo de produtos químicos. Ela proporciona os meios para proibir sua produção e uso, redução e, quando possível, eliminar sua liberação para o ambiente.

A Convenção cobre os produtos Aldrin, Chlordane, Dieldrin, DDT, Dioxinas, Furanos, Endrin, Heptachloro, Hexachlorobenzeno, Mirex, PCBs, Toxapheno, conhecidos como os 12 sujos. O Brasil aprovou o texto da Convenção em 2005 e desde então os POPs vem saindo de circulação no país.

Ainda existe um longo caminho para que eles sejam erradicados do planeta, ainda mais com novos compostos sendo produzidos e alguns sem conhecimento de que impacto podem causar caso sejam lançados incorretamente no meio ambiente. Cabe à humanidade usar a inteligência de que tanto se orgulha para encontrar meios de não deixar esses compostos causarem danos e, se possível, criar alternativas menos poluentes para os POPs.
O problema dos POPs O problema dos POPs Reviewed by Túlio Lima Botelho on 14:30 Rating: 5

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