É o fim dos lixões?

Aglomerações fixas de seres vivos podem gerar pilhas de resíduos; isso não é exclusividade humana. Formigueiros possuem montes de refugo onde as operárias depositam a sujeira da colônia. No entanto, certamente esses montes de lixo não causam tanto impacto quanto os resíduos que geramos diariamente em nossas casas.

Já é conhecido de todos a enorme quantidade de lixo que é descartada nas cidades. Esses resíduos trazem consigo em infinidade de compostos poluentes que, se não foram destinados a um local adequando, causarão ainda mais impactos ao meio ambiente.

Existem diversas formas de destinação de lixo, sendo as mais conhecidas aquelas em que o solo recebe os resíduos. São três locais já conhecidos para esse descarte: os aterros sanitário e controlado e os lixões. Os aterros sanitários são a melhor opção atualmente para o descarte do lixo. Nesses locais, o lixo é depositado sobre o solo, que é revestido por uma camada de argila especial, ou lona, que impermeabiliza a terra, impedindo que o lixo entre em contato direto com o solo. Sobre esse revestimento ainda existe um sistema chamado "espinha de peixe", que serve para canalizar o chorume que se origina dos resíduos. O lixo é então ali depositado e logo em seguida coberto com terra. Com toda essa proteção, não há risco de que o solo e o lençol freático sejam contaminados com as substâncias vindas da decomposição. No aterro sanitário, o chorume é tratado e o gás metano queimado para diminuir ainda mais a poluição que pode sair dali.

Aterro sanitário

O aterro controlado é considerado uma medida intermediária, que  às vezes não resolve o problema. Muitas vezes ele é um lixão que passa a ter o lixo enterrado. Não existe uma proteção no solo, muito menos tratamento de chorume. Ele acaba com aquela imagem feia de um lixão a céu aberto, evita animais vivendo ali, mas não impede que os resíduos poluam o solo.

Por fim, o mais impactante é o lixão. Todo mundo tem em mente a imagem de montes de sacolas plásticas, urubus e ratos e, infelizmente, pessoas mexendo nesse lixo. Nele o resíduo simplesmente é deixado numa área, sem proteção no solo, onde os produtos de sua decomposição irão poluir, além da terra, a água e o ar. Mas esse local pode estar com os dias contados.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em agosto de 2010, prevê que os lixões de todo o Brasil deixem de existir até o próximo sábado (02/08). Infelizmente, o que se vê é que 39,5% dos municípios brasileiros ainda não adequaram a destinação de seu lixo. Aparentemente, o Governo não irá ampliar o prazo para as cidades se adequarem, de modo que elas estarão cometendo crime ambiental.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje que um novo prazo pode ser discutido no Congresso Federal, para que os municípios tenham mais tempo para organizarem seus planos de resíduos sólidos. Segundo a ministra, "não se trata de empurrar com a barriga". Esse novo prazo levaria em consideração a capacidade econômica das cidades, já que a construção de um aterro sanitário não é barata.

Uma forma de se fazer isso é um consórcio intermunicipal, onde dois ou mais municípios se unem para fazer a construção do aterro. Em muitos lugares, é isso que vem acontecendo e mostra que alguns municípios estão agindo para se adequarem ao que a legislação manda.

Independente se houver mais prazos ou não, é evidente que as cidades devem reorganizar seu sistema de coleta e descarte do lixo. Está mais do que claro que isso só traz benefícios, seja para o solo e água, seja para a população do município onde esse lixo é gerado.
É o fim dos lixões? É o fim dos lixões? Reviewed by Túlio Lima Botelho on 16:00 Rating: 5

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