Espécie do Mês - Boto Cor-de-rosa

Os povos da Amazônia contam que em noites de festa as moças devem tomar cuidado com belos rapazes de chapéu que surgem do nada e tentam conquistá-las. Caso elas não sigam esse conselho, com certeza terão um filho desse pai desconhecido, que ninguém sabe de onde veio. Segundo a lenda, esse rapaz não é humano e sim o boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis) que sai dos rios para uma aventurazinha na terra.

Boto cor-de-rosa
Fonte: Alerta Vermelho - AMPA.

Nunca saberemos se o boto namorou com humanas, mas essa é mais uma lenda amazônica que retrata fatos e seres vivos que fazem parte do dia-a-dia da população de lá. O boto cor-de-rosa (ou boto vermelho) é o maior golfinho de água doce do planeta, alcançando 2,50 m no machos e 2,10 m nas fêmeas. Essa diferença de tamanho é um dos indicadores de um evidente dimorfismo sexual presente na espécie, com diferenças na tonalidade da cor (os machos são mais rosados que as fêmeas) e peso corporal (machos atingem 180 kg e as fêmeas 100 kg). Os botos apresentam em sua cabeça uma estrutura conhecida como melão, utilizada na ecolocalização. No topo de sua cabeça está o opérculo, um orifício utilizado para a respiração (na lenda o boto usava chapéu para esconder essa estrutura).

Eles são encontrados em vários rios da Bacia Amazônica, como o Amazonas, Orinoco e Madeira. Alimentam-se principalmente de peixes, às vezes ingerindo tartarugas e caranguejos. De hábitos solitários, pode maximizar a captura de alimento com a formação de grupos com vários botos. Estudos mostram que os botos se alimentam de cerca de 50 espécies de peixes, algumas com valor comercial. Essa espécie não possui uma hora específica para a busca de alimento, podendo ser tanto durante o dia quanto à noite. Porém, os horários de pico são pela manhã e à tarde.

A época reprodutiva desses mamíferos coincide coma baixa dos níveis dos rios amazônicos e os nascimentos ocorrem no pico das cheias desses mesmos rios. Após 11 meses, em média, de gestação, nasce apenas um filhote com cerca de 80 cm de comprimento e coloração acinzentada, tornando-se rosados com a idade. As mães amamentam durante 1 ano e voltam a dar à luz novamente em 2 e 3 anos. Os filhotes alcançam a idade reprodutiva entre 6 e 7 anos de vida. Eles podem viver até os 50 anos.

Fonte: Alerta Vermelho - AMPA.

O boto cor-de-rosa está classificado como dados insuficientes na IUCN, mas isso não quer dizer que a espécies está fora de perigo. Diariamente, esses animais sofrem com barragens construídas nos rios, redes de pesca, choque com embarcações e todo o tipo de destruição dos habitats aquáticos amazônicos. Outra ameaça é a caça predatória. Os órgãos genitais dos botos são procurados por pessoas em busca de amores perfeitos e maior potência sexual.

Nos últimos tempos, foi mostrada na imprensa a matança de botos para servirem de isca na pesca da piracatinga, um peixe carniceiro dos rios da Amazônia. Sem valor comercial, a piracatinga é vendida por aí como a douradinha, enganando os consumidores. Toneladas desse peixe são pescadas usando carne de boto como isca e, como as taxas de reprodução dos botos são baixas, não dá para as populações se manterem com essa caça predatória. Entre as imagens vinculadas, há a de uma fêmea grávida, de onde foi retirado um filhote quase na época de nascer.

São práticas terríveis para a conservação dessa espécie típica da Amazônia, que tem um papel importantíssimo naquela região. Conheça o site Alerta Vermelho, uma campanha da AMPA (Associação dos Amigos do Peixe-Boi) para a divulgação da situação e mobilização para se fazer algo na defesa dos botos da Amazônia. Ente no site, se informe, divulgue, ajude!
Espécie do Mês - Boto Cor-de-rosa Espécie do Mês - Boto Cor-de-rosa Reviewed by Túlio Lima Botelho on 13:28 Rating: 5

Nenhum comentário: