Muito mais que simples comedoras de insetos

As plantas carnívoras, como disse no post do mês passado, despertam grande curiosidade das pessoas. Mas, por que elas capturam os insetos? Plantas não fazem seu próprio alimento? Elas são criaturas sádicas dispostas a matar pobres mosquinhas?

Dionea
Fonte: dplastino via photopin cc

Assim como a maioria das plantas, as carnívoras (também chamadas de plantas insetívoras) também realizam a fotossíntese. No entanto, essas plantas ocorrem naturalmente em ambientes pobres em nutrientes, principalmente de nitrogênio, e por isso elas desenvolveram alternativas excepcionais para obter esses compostos de outras fontes.

Estima-se que elas surgiram há 65 milhões de anos. Alguns pesquisadores sugerem que a estratégia de captura de alimento tenha surgido depois que chuvas se acumularam nas folhas das plantas. Nessas poças, insetos caiam e se afogavam, sendo posteriormente decompostos por bactérias. Os nutrientes vindos da decomposição eram absorvidos pela planta. Outros já propõem que a estratégia de captura de alimento surgiu como uma defesa contra parasitas, que se decompunham e seus nutrientes eram absorvidos. Pode ser tanto uma coisa, quanto outra. Ou até mais, já que existe uma forte indicação de evolução paralela das plantas carnívoras, com várias linhagens evolutivas convergindo numa mesma característica: a captura de alimento.

As plantas carnívoras forma descobertas em 1768 pelo botânico inglês John Ellis, que estudou uma espécie do gênero Dionea. Darwin também estudou esse tipo de vegetal, publicando um livro exclusivo sobre elas.

Drosera
Estruturas de uma drósera responsáveis pela captura de alimento. Fonte: DrWurm via photopin cc

O processo de captura de alimento por elas é simples: cada planta atrai o inseto, seja com néctar, odores ou alguma outra substância que chama a atenção do artrópode. Quando ele chega na planta, ela pode se fechar, no caso das dioneias e dróseras; cair no "jarro" onde está a substância atrativa, nas nepentes; entre outras formas. Um animal pode cair ali por acidente ou ficar preso porque foi em busca do inseto que estava ali. Acredita-se que essa seja a principal causa de captura de anfíbios e aves pelas carnívoras.

Capturado o alimento, é iniciado o processo de liberação das enzimas digestivas, chamadas de proteolíticas. Essas enzimas quebram as proteínas do corpo da presa, que são liberadas lentamente para a absorção pelo vegetal. Insetos pequenos podem levar até 5 dias para que sejam completamente digeridos. No caso de animais maiores, nas espécies que capturam aves e anfíbios, o processo de digestão pode terminar depois de semanas.

Lagarto anole morto em um "jarro" de nepentes.
Lagarto anole morto em um "jarro" de nepentes. Fonte: D.Eickhoff via photopin cc

As plantas carnívoras estão presentes em todo o mundo, desde os trópicos até as tundras siberianas. A maior diversidade desses vegetais está na Austrália. O Brasil ocupa a 2ª posição no ranking de diversidade de plantas carnívoras, abrigando em seu território cerca de 90 espécies diferentes.
Muito mais que simples comedoras de insetos Muito mais que simples comedoras de insetos Reviewed by Túlio Lima Botelho on 16:00 Rating: 5

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