O fim da floresta

Do alto da floresta, um uacari observa uma menina correr. “Para onde ela vai com toda essa pressa”, pensa o macaco de cara vermelha. Porém ele tem mais com o que se preocupar. Outro dia, uma arara tagarela pousou toda ofegante no meio da macacada, contando uma história muito louca:

- Vocês devem fazer algo... Aquele cerrado que existia depois do rio não existe mais. Um barulho monstruoso acabou com tudo de dia para a noite... Aquilo não é normal... Ele levou tudo e colocou umas vacas lá. Vocês sabem o que são vacas né?

A arara demorou a se acalmar, pois estava assustada com o fim do cerrado onde ela pegava sementes de buriti. Mas o velho uacari não se assustou tanto. Ele já desconfiava de que algo estranho estava acontecendo quando começaram a diminuir as árvores de onde ele se alimentava.

Ainda olhando aquela menina, ele ouviu um som abafado ao longe e achou que devia ser o mesmo som de que uma suçuarana rabugenta havia contado para ele. Ele a achou muito reclamona, mas não se chateou porque ela estava triste após ter perdido toda sua ninhada para uns bichos que ela nunca havia visto. Segundo a onça, esses bichos eram muito parecidos com os seres bípedes da floresta, aqueles que vivem em casas de palha. Porém eram de cores diferentes e não falavam a língua da floresta.

Os barulhos estranhos foram ficando mais próximos e o macaco sentado no alto da árvore começou a pensar o que esses novos bichos queriam por ali. Por anos a floresta viveu quieta. No entanto, em pouco tempo, as histórias de animais apavorados aumentavam a cada dia. Seu pensamento foi cortado por uma revoada de pássaros gritando sem parar. Entre eles estava a arara tagarela, que gritava para o uacari:

- Fuja! A floresta está caindo. Saia daí!

Infelizmente, um som monstruoso não deixou o uacari ouvir os avisos da arara e quando ele percebeu estava em queda livre junto com a árvore em que descansava.

A menina continuava a correr sem parar. Precisava avisar para seu grupo que a floresta estava caindo. Ela corria a toda velocidade e parou quando enxergou o fim da mata. Ela estranhou, pois se lembrava de haver muito mais árvores. Andando devagar, viu umas montarias gigantes, que faziam muito barulho e soltavam uma fumaça fedida. Ao longe, viu uns animais diferentes, com chifres e grandes mamas. Desorientada, ela voltou para a floresta e tentou achar outro caminho para casa. Porém, no fundo de seu coração, ela sabia que sua casa não seria mais a mesma.

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Escrevi esse texto para um grupo que faço parte no Facebook, o Escritores & Amantes da Terra-média (EA-TM) e achei que era essencial postar ele aqui. Ainda mais no dia de hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente.

Em quantos lugares esses acontecimentos citados no texto estão acontecendo? Quantas populações de diversos seres vivos perdem seus lares diariamente? Temos que parar com essas ações e, se você pensa que vivendo numa cidade não tem uma parcela nisso, se engana.

Pode parecer sensacionalismo de minha parte, mas cada vez que você aumenta seu consumo de eletricidade, a demanda por energia aumenta e mais natureza será destruída para a construção de hidrelétricas. Por isso é importantíssima a mudança de comportamentos, que considero a peça-chave para a resolução de muitos problemas no mundo.

Aproveite o dia de hoje para pensar sobre isso, no que você pode mudar e, o mais importante, aja!
O fim da floresta O fim da floresta Reviewed by Túlio Lima Botelho on 14:00 Rating: 5

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