A História da Origem da Vida #1 - Abiogênese vs. Biogênese

Um das coisas que mais gosto em Ciência é como as ideias substituem as outras com base em experimentos e provas. A Ciência é feita dessa forma e na Biologia existem muitos exemplos clássicos. Um deles é sobre a origem da vida na Terra, onde as concepções forma sendo modificadas com base em provas mais certeiras da realidade. Acompanhe a primeira parte dessa grande história:
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A vida na Terra surgiu a aproximadamente 3,5 bilhões de anos. Desde então, ela vem se desenvolvendo de forma espetacular, com inúmeras formas de vida adaptadas aos mais diferentes lugares do planeta. Mas como tudo surgiu? Os registros fósseis permitem voltar no tempo até certo período, mas o momento em que o primeiro ser vivo surgiu, e como foi isso, são difíceis de ser respondidos com precisão.

Desde a Antiguidade, o ser humano sempre se perguntou sobre suas origens e inúmeras hipóteses foram elaboradas para solucionar essa dúvida cruel.

Até o século XIX, duas correntes de pensamento sobre a origem da vida na Terra predominavam. A Abiogênese (ou hipótese da geração espontânea) dizia que os seres vivos sempre derivavam espontaneamente da matéria bruta. Por essa linha de pensamento, cientistas acreditavam que os vermes surgiam de corpos em decomposição, crocodilos do lodo dos rios e ratos de panos com trigo.

No entanto, pesquisadores começaram a contestar a abiogênese, dizendo que todos os seres vivos vinham de outros preexistentes. Esses eram os adeptos da Biogênese. Estudiosos destas duas correntes de pensamento faziam diversos experimentos para provar que estavam certos e provar definitivamente suas ideias.

Em 1668, Francesco Redi observou que moscas que pousavam em corpos em putrefação deixavam ali seus ovos, de onde surgiam as larvas (vermes) que todos achavam surgir espontaneamente dos corpos em decomposição. Para provar sua hipótese, Redi colocou carne crua em frascos. Alguns foram cobertos com gaze, enquanto outros foram deixados destampados. Se a abiogênese fosse correta, teriam que surgir vermes em todos os frascos.

Entretanto, eles só apareceram nos frascos abertos, onde surgiram ovos, larvas e posteriormente moscas filhas daquelas que botaram seus ovos nos pedaços de carne. Nos frascos tampados com gaze, não apareceu nenhum verme. Com esse experimento, Redi confirmou sua hipótese de que as larvas de mosca não surgem espontaneamente de carne em decomposição.

Fonte: Diário Científico.

Dessa forma, a hipótese da biogênese ganhou mais força até que os micro-organismos foram descobertos. Como ainda não se sabia de onde vinham, os adeptos da geração espontânea diziam que os organismos microscópicos surgiam espontaneamente de qualquer coisa, sem que um outro ser vivo os tivesse gerado. Já os adeptos da biogênese diziam que esses seres vinham de "sementes" presentes no ar, água e solo. Quando alcançavam um local adequado, se desenvolviam. As discussões sobre essas hipóteses se aqueciam cada vez mais e John T. Needham mostrou resultados que favoreciam a abiogênese.

Em 1745, o cientista inglês ferveu diversos frascos contendo substâncias nutritivas. Depois de fervê-los, deixava-os de repouso por alguns dias. Após esse tempo, ele observou ao microscópio que esse caldo estava cheio de micro-organismos. Segundo Needham, a solução nutritiva continha uma "força vital" que fazia os organismos surgirem espontaneamente.

Em 1770, o italiano Lazzaro Spallanzani repetiu os experimentos de Needham, só que com algumas modificações. Ele fechou os frascos hermeticamente antes de submetê-los à fervura por alguns dias. Depois eles esfriavam por mais algum tempo. Após esse período, Spallanzani abriu os frascos e observou o caldo ao microscópio. Nenhum organismo foi encontrado.

O italiano disse que Needham não havia fervido o caldo tempo suficiente para que os micro-organismos que já estavam ali fossem mortos e tornar a solução estéril. O pesquisador inglês respondeu essa crítica dizendo que ao ferver frascos hermeticamente fechados, Spallanzani destruiu a "força vital" e isso criou uma condição desfavorável ao aparecimento da vida. Por hora,  a hipótese da geração espontânea saiu fortalecida.

No entanto,  por volta de 1860, um experimento poria um fim a essa polêmica. Louis Pasteur colocou uma solução nutritiva, semelhante a dos experimentos de Needham e Spallanzani, em um balão com pescoço longo, que foi esticado formando um tubo fino e curvo (criando o balão "pescoço de cisne"). Esse frasco foi posto no fogo para que o líquido de seu interior fervesse e deixasse a solução estéril. Após a fervura,  o balão foi deixado para esfriar e o vapor de água que permaneceu no tubo se condensou, retendo partículas do ar que poderiam chegar ao caldo nutritivo.

Por meses, Pasteur manteve o frasco assim, com a boca aberta. A solução nutritiva se manteve estéril durante todo esse período. Mas, quando o pescoço do balão foi quebrado, houve o aparecimento de micro-organismos. Pasteur mostrou que a contaminação da solução que ocorreu após o pescoço do balão ser quebrado foi por micro-organismos que já estavam presentes no ar e não surgidos da "força vital" da substância nutritiva. Quando o frasco não estava quebrado, o filtro formado pelas gotículas de água no pescoço do balão impedia que esses seres chegassem ao caldo.

Fonte: Só Biologia.

Com esses resultados, a hipótese da geração espontânea finalmente caiu e cientistas do mundo todo passaram a aceitar a hipótese da biogênese. Porém, a resposta dessa pergunta fez surgir outra: se um ser vivo sempre deriva de outro preexistente, de onde veio a primeira forma de vida?

Mas esse é um assunto para um próximo post...
A História da Origem da Vida #1 - Abiogênese vs. Biogênese A História da Origem da Vida #1 - Abiogênese vs. Biogênese Reviewed by Túlio Lima Botelho on 13:54 Rating: 5

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